Gerenciar riscos ocupacionais é um serviço complexo, que carrega grandes responsabilidades, não somente pelo fato de que deve entrar em conformidade com as normas regulamentadoras, mas também por lidar diretamente com a integridade, a saúde e a própria vida de todos os envolvidos em um acidente de trabalho, seja ele físico, químico ou toxicológico.

A gestão de riscos químicos, com o decorrer dos anos, passou a obter fiscalizações mais rígidas e obrigações legais cada vez mais amplas, com o intuito de assegurar que os colaboradores de empresas que lidam com esse tipo de perigo tenham um ambiente laboral mais seguro.

Vamos mostrar, neste post, como lidar com os riscos químicos no ambiente de trabalho. Além disso, você saberá como avaliá-los e quais medidas de segurança a empresa deve providenciar. Continue a leitura!

O que são riscos químicos?

São os perigos aos quais estão expostos os trabalhadores que manipulam produtos químicos, ou se expõem a algum tipo de agente químico/biológico capaz de agredir o organismo.

Poeira, névoas, fumos, gases, neblinas ou vapores consistem na maior fonte de preocupação para os profissionais da medicina do trabalho, já que são riscos considerados “invisíveis” e, na maior parte dos casos, o processo para controlá-los é bastante complexo.

Os riscos químicos se mantêm em suspensão na atmosfera durante períodos longos, causando desconforto, afetando a produtividade dos funcionários e, é claro, causando doenças ocupacionais dos mais variados tipos (a depender do agente agressor). Em geral, podem levar à invalidez temporária ou permanente, aposentadoria precoce e até mesmo à morte.

Quais são as vias de penetração de agentes químicos?

Respiratória

Ocorre quando os agentes químicos são inalados no ar contaminado. O ar entra pelo nariz e traz consigo substâncias nocivas presentes na atmosfera.

Cutânea

Trata-se da contaminação pelo contato direto entre a pele do trabalhador e o agente agressivo. Esse tipo de ocorrência acontece comumente por meio da penetração dos poros.

Digestiva

Acontece quando o colaborador acaba ingerindo substâncias, seja por meio de alimentos contaminados ou por tocar algum líquido ou comida com as mãos sujas de agentes agressivos e depois ingeri-la.

Por isso, a NR 32 estipula que a empresa deve proibir a alimentação em postos de trabalho que lidam com riscos químicos. Falaremos mais sobre isso adiante.

Como reconhecer os riscos químicos no ambiente de trabalho?

A primeira etapa em uma estratégia de contenção de riscos químicos, sem dúvidas, é reconhecê-los para que, assim, seja possível minimizá-los e até mesmo evitá-los por meio de medidas de segurança adequadas.

A partir do momento em que os riscos são reconhecidos, os técnicos de segurança do trabalho são capazes de agir diretamente na fonte dos problemas, podendo até evitar que o produto seja disperso no ambiente produtivo.

Avaliação qualitativa

Neste tipo de avaliação, os riscos químicos de cada agente são avaliados de forma separada, na maioria dos casos. Diferente de como é a avaliação de ruídos, por exemplo, em que todo o risco é mensurado de uma só vez.

O profissional que fará esse tipo de avaliação precisará de conhecimento específico, além do processo exigir investimentos mais significativos da empresa. Lembrando que alguns tipos de produtos químicos não passam por esse tipo de avaliação.

Avaliação quantitativa

É o processo de avaliar a exposição e os agentes contaminantes da atmosfera, em geral, das quais não receberam limites de exposição ocupacional. Em outras palavras, caso não exista uma norma estipulando um parâmetro, ou fornecendo os danos que a exposição pode gerar, não há motivo para uma análise quantitativa.

Esse tipo de análise só deve ser realizado quando existem dados disponíveis a respeito da relação dose-resposta ou dose-efeito associada à exposição a uma substância específica.

Quais são os níveis de prevenção de riscos químicos?

Prevenção de nível primário

Visa promover a saúde dos trabalhadores no ambiente operacional da empresa, estimulando:

  • alimentação adequada;
  • sistema de iluminação eficiente;
  • água tratada;
  • ventilação natural ou por meio de exaustores;
  • controle de ruídos;
  • checagem da qualidade do ar;
  • repouso e recreação etc

Prevenção de nível secundário

São as medidas específicas de contenção e prevenção aos riscos químicos. Dentre elas podemos citar:

  • implementação do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
  • imunização;
  • treinamentos e palestras de conscientização a respeito do uso de EPIs e manipulação de químicos;
  • guarda e conservação de EPIs;
  • medidas de prevenção de acidentes no ambiente de trabalho.

Prevenção de nível terciário

Basicamente, são as medidas que visam levar o empregado ao tratamento, com o intuito de que ele recupere as suas capacidades laborais o mais cedo possível, evitando dias de trabalho perdidos e prejuízos para todas as partes envolvidas.

Além disso, no nível terciário existem as medidas de reabilitação que consistem nas decisões tomadas em casos de lesões que causam sequelas definitivas aos trabalhadores. A intensidade e duração do processo podem depender do tempo de reabilitação de indivíduo que, consequentemente, está ligado à gravidade da lesão.

O que diz a NR 32 a respeito dos riscos químicos?

Para finalizarmos, é importante ressaltar o que diz a Norma Regulamentadora de número 32, considerando que ela estabelece uma série de práticas e restrições pertinentes à manipulação de agentes químicos no ambiente laboral, assim como medidas de segurança.

Segundo a NR 32, classificam-se agentes biológicos todos os microrganismos, naturais ou geneticamente modificados, como parasitas, culturas de células, príons e toxinas aos quais os empregados estão expostos por causa de sua atividade laboral.

Todo o tipo de ocorrência de acidente que envolva riscos biológicos, tendo elas afastamento ou não do trabalhador, obrigatoriamente, exige que seja emitida uma CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).

Além disso, é imprescindível que, no ambiente onde há qualquer nível de exposição a agentes biológicos, exista um lavatório exclusivo com água quente, sabonete líquido, toalhas descartáveis e uma lixeira munida com sistema de abertura sem contato com as mãos.

Ainda, segundo a NR 32, os empregadores têm a responsabilidade de vedar o consumo de bebidas e alimentos, o ato de fumar, o uso de lentes de contato e adornos e a utilização de pias para outros fins que não seja higienização neste tipo de posto de trabalho. Você pode encontrar outras medidas importantes diretamente na Guia Trabalhista.

Gostou do nosso artigo sobre como lidar com os riscos químicos no ambiente de trabalho? Então não deixe de conferir também as três dicas sobre como fazer uma avaliação de riscos mais completa!

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